Autismo: o que ele me ensinou

Autismo: o que ele me ensinou

Por Juliana Tedeschi Hodar,
amiga, colunista e diretora Blog

Eu e ele, o autismo, convivemos já há quase 9 anos...
Para quem não sabe (bem pouca gente aliás) eu tenho um filho autista que recém completou 11 anos e foi diagnosticado com 2 anos e 8 meses .

Foto da época em que recebemos o diagnóstico.
Ao contrário de muitas histórias não notei nenhum sinal até que ele entrasse na escola com 1 ano e meio.


A partir daí a Escola nos reportou diferença de comportamento em relação a outras crianças da mesma faixa etária, num primeiro momento eu quis destruir a escola mas depois fui chamada a razão e ai partimos em busca de repostas...
Mae e ai quais comportamentos a Escola notou ? Muita gente me pergunta para tentar entender algumas suspeitas, vamos lá:
Brincava de uma maneira “não convencional” me lembro que antes ele empurrava os carrinhos para brincar e a partir desta fase ele só se interessava por girar a rodinha;
Não se interessava mais por crianças, preferia sempre a companhia dos adultos;
Não tinha atenção para as atividades em sala de aula (não se interessava pelas musicas e estórias);   
Parou de se comunicar através da fala (ele pegava a mão do adulto e levava pra mostrar o que ele queria);
Intolerância a barulhos (não gostava nem quando as crianças falavam).
Não tinha “foco” em nenhuma atividade apresentada a não ser quando fosse do interesse dele (atividade com água por exemplo);
Problemas para desfraldar;
Muitas vezes parecia “surdo” quando o chamávamos;
Interesse extremo em algumas coisas (se deixasse ele assistia o mesmo episodio do Pocoyo (desenho infantil) o dia todo;
Seletividade alimentar (só comia algumas coisas);
Movimentos repetitivos (estereotipias) O que são estereotipias;
Enfim eram comportamentos significativamente diferentes e após 1 ano de consultas com 3 especialistas de cada área (Neuro infantil e Psiquiatra) chegamos ao diagnóstico de Autismo Infantil.
Ao invés do choque e do chamado luto partimos para a luta e no mesmo momento em que eu recebia o diagnóstico e o laudo da Psiquiatra eu preferi não aceitar a caixa de lenços que ela me oferecia (no caso de eu chorar) e já questionava qual a indicação para todas as terapias multidisciplinares que ela inseriu no laudo e ai no mesmo dia fui até a Escola Tiquira Escola Tiquira onde ele iniciou a fono, a fisio e a terapia ocupacional e posteriormente passou a estudar lá também e até hoje permanece feliz da vida, integrado, alfabetizado e vivenciando a escolaridade de maneira produtiva.   

Aniversário de 11 anos do Tiago na Escola Tiquira
Nesta trajetória toda temos muito a partilhar mas muito mais a aprender, sou grata a Deus todos os dias por esta chance!
Me envolvi de corpo e alma com a causa, agora de forma mais moderada, pois encontrei muitas pessoas que pensam diferente... Não vejo o autismo como uma coisa ruim.
Acabei escrevendo um livro (tenho outro em andamento) : Inspirados pelo amor
Dei entrevistas, como esta a Tv Camara (assistam é muito esclarecedora) : Entrevista a Tv Camara
Com a ajuda de uma grande mulher e amiga, a Karina Falsarella,  fiz um Congresso sobre Autismo o Conaomi Conaomi e estou sempre a postos para ajudar as famílias com o coração aberto.
Porém o motivo pelo qual aceitei este convite da Karen do Blog World Friends foi deixar esta mensagem para todos os que convivem ou conviverão com o autismo em toda sua complexidade, ele é desafiador e foi através da convivência com o Tiago que me tornei alguém muito mais consciente e preparada para enfrentar a vida.
Numerei os tópicos para não ficar tão maçante

  1.       Autismo não é sentença: é envolvimento diário e constante
  2.       Tenha a Escola como sua parceira
  3.       Terapias são o melhor recurso
  4.       Não julgue outras famílias
  5.       Paciência:  o tempo deles é diferente
  6.      Sempre irão te surpreender
  7.      O mundo ao redor é cruel, crie barreiras
  8.      Família unida é fundamental
  9.       Amigos verdadeiros permanecem no pós diagnostico
  10.      Um irmão ou irmã é presença de paz
  11.      Não adianta brigar contra certas coisas
  12.      Você tem direito a sua vida, sua profissão e seu lazer

Muitas vezes eu ouvi que não devia trabalhar, não devia me cuidar, que minha missão era viver em função dele...
Não desisti da minha vida, adaptei muitas coisas, contei com pessoas, tenho um ótimo pai e marido para me auxiliar, mas sei que a realidade da maioria não é essa...Se posso deixar uma mensagem final é: Busque apoio, não importa de onde ele virá, muitas vezes pessoas “de fora” nos auxiliam bem mais que amigos e família, não se culpe e viva sem medo... A superação vem do amor!
Coloco-me sempre à disposição
Beijos de luz, Juliana

 Tiago e sua irmã Bianca





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