MÚSICA SE ENSINA E SE APRENDE BRINCANDO



MÚSICA SE ENSINA E SE APRENDE BRINCANDO

Marcus Vinícius
18/07/2017

            Oi oi oi, leitores e leitoras, sejam bem-vindos a mais uma coluna mensal sobre Educação Musical do blog WorldFriends!
            Hoje vou começar a falar um pouco menos sobre minhas experiências pessoais, e mais sobre o assunto central dessa coluna, que é Educação Musical. Quem leu minhas colunas anteriores sabe que estou em um momento de muita aprendizagem, e digo isso com toda a humildade que posso transmitir, não me envergonho disso, afinal estou começando. Contudo, estou totalmente empenhado em minha formação, e contagiado com as experiências que venho tendo. Venho aprendendo demais dentro da Antroposofia e da pedagogia Waldorf, e muitíssimo com as experiências que tive no núcleo Barbatuques e continuo tendo na Orquestra do Corpo. Essas experiências vêm me dando, em tão pouco tempo, um repertório enorme que venho utilizando nas minhas atividades educacionais, e sobre as quais escreverei em breve, em outras ocasiões.



            Porém, mês passado, tive o privilégio de participar de um curso muito especial: The jazz Orff Course, organizado pelo professor Uirá Kuhlmann, idealizador do núcleo Música e Movimento, e ministrado pelo brilhante professor estadunidense Doug Goodkin, professor da San Francisco Orff Program. Foi absolutamente fantástico! Eu já venho tendo experiências muito especiais com um grupo de educadores brasileiros muito legais, ligados ao Música e Movimento, como o próprio Uirá, Cacá Lima e Estevão Marques, o qual também é professor da San Francisco Orff Program, nos Estados Unidos. Esse pessoal ligado à pedagogia Orff/ Shulwerk vem trazendo ao Brasil, junto aos organizadores da Associação Orff Brasil – ABRAORFF, uma movimentação muito importante na formação de nossos educadores musicais, trazendo uma qualidade muito interessante de materiais e métodos de ensino de música. Tudo isso me traz muito alívio por encontrar ressonâncias positivas para um assunto muito sério e totalmente negligenciado por nossas autoridades que devem pensar a educação. Todos eles se formaram na escola de San Francisco, cujo programa de música Doug Goodkin ajudou a fundar, e é evidente sua importância no cenário atual da educação musical.



            Para quem não conhece, o compositor alemão Carl Orff é famoso por ter composto a obra consagrada Carmina Burana, mas sua grande contribuição à música se dá mesmo no universo da educação. Poucos sabem que Orff criou um método de ensino de música revolucionário, que transformou a educação musical no mundo todo.Ele, grosso modo, entendia que havia um grande equívoco nos métodos de ensino de música os quais consistiam praticamente no ensino da leitura e da notação musical, e no desenvolvimento técnico de determinados instrumentos. Ou seja, a música era aprendida de fora para dentro, e não de dentro para fora, não dando vazão para o desenvolvimento da musicalidade da criança. Orff pensou que o revés deveria ser feito, o aprendizado musical deveria acontecer de dentro para fora, partindo do estímulo e desenvolvimento da musicalidade natural da criança, com jogos e brincadeiras musicais e, a partir daí, iniciar o processo de ensino formal da música. Assim, utilizava como ponto de partida as sonoridades que o próprio corpo da criança poderia produzir, como a percussão corporal, palmas, pés, estalos, o canto e a dança como expressão rítmica dos movimentos. Em seguida, o contato da criança com instrumentos musicais se dá inicialmente através de instrumentos de fácil execução técnica, como xilofones e metalofones, com teclas removíveis, com os quais, além de iniciar gradualmente o contato da criança com as notas musicais, introduzindo tecla por tecla, é possível formar escalas de acordo com as peças e os arranjos que são dirigidos pelo professor, e os níveis de dificuldade são estabelecidos de maneira gradual e cuidadosa. Enfim, a essência do ensino de música está na descoberta da própria musicalidade da criança, juntamente com o prazer em fazer música, o que é o mais importante.
            Dessa forma, o método se organiza em torno de cinco pilares básicos: cantar/ tocar; ouvir/ escutar; brincar/ jogar; mover-se/ dançar e criar. Todas as atividades pedagógicas devem ser pensadas de modo a abarcar todos esses elementos. Ou seja, a criança deve aprender música inicialmente fora da partitura, cantando, ouvindo, brincando, jogando, movendo-se, criando, tudo ao mesmo tempo, não é fantástico? Não tem como não aprender, e não se divertir. E digo mais, apesar de o foco das atividades serem as crianças, os adultos, apesar de apresentarem muito mais amarras, o que é óbvio, também se envolvem muito com as brincadeiras. E foi exatamente isso que pude aprender e, mais do que isso, vivenciar, com o professor Doug Goodkin nesses quatro dias maravilhosos: brincar de fazer blues e jazz com método e instrumentação Orff como se fosse uma criança, brincando, ouvindo, tocando, dançando e criando o tempo todo.
            Porém, uma incógnita me veio à cabeça: e com bebês, como devo fazer? Afinal também trabalho com bebês de zero a três anos, e para eles não é possível trabalhar com jogos e com regras, eo método Orff/ Shulwerk é aplicável a crianças a partir de seis anos. Como faço com os menores? Até para isso o curso foi ótimo. Pude conhecer uma querida professora, Nadja Lopes, de Brasília, que me apresentou as ideias do professor Edwin Gordon, que pensou em uma teoria de aprendizagem musical para bebês, a qual estou estudando e amando, mas ainda não me sinto em condições de comentar. Deixarei isso para a nossa próxima coluna.
            Espero que tenham gostado! Beijos a todos e até mês que vem!




Marcus Vinícius: Bacharel e licenciado em Letras pela Unicamp, mestre em Teoria e História Literária pela Unicamp, e licenciando em Música pela Unimes. É professor de coral da Escola Waldorf Veredas (Campinas), e professor de música na Casa do Meio (Jundiaí) e na Alegria e Cia. (Campinas). Cantor no Madrigal In Casa e no coral do TRT de Campinas, e membro da Orquestra do Corpo, projeto do núcleo Barbatuques. Está gravando seu primeiro disco autoral, BrisBrisa, com lançamento digital previsto para julho de 2017.

Contato: marcusvsil@gmail.com; whatsapp: (19) 99157-1465

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