A criança e o poder do brincar





Coluna mensal Nilce Perin

O brincar é um ato social que permite uma comunicação de vários modos, podendo ser verbal ou não verbal, além de possibilitar a criança expressar seus sentimentos e vontades. 

As brincadeiras são os meios às quais as crianças descobrem o mundo.
É através do faz de conta que a criança constrói o seu mundo, usando o imaginário e as experiências vividas. O faz de conta é a superposição intencional de uma situação suposta a uma situação real, com um espírito de diversão. Deste modo as crianças usam as brincadeiras para construir seu aprendizado através da exploração de situações liberando seu Eu criativo e produzindo seus desejos mais íntimos.
Este aprendizado está associado às faixas etárias, assim ligadas à maturação do cérebro, conexões neurais, pois com o passar da idade, os brinquedos administrados unicamente pela fantasia liberam espaço a jogos com regras e, muitas vezes com regras sociais, dessa maneira dando lugar as responsabilidades da vida adulta.
O espaço e tempo lúdico para os jogos simbólicos estão cada vez mais reduzidos. Hoje as crianças não tem a possibilidade da vivência do brincar em ruas com outras crianças como antigamente, estão fechadas em suas casas com brinquedos eletrônicos que não os dá essas experiências, e os menos favorecidos estão nas ruas por vezes envolvidos no aumento da renda familiar ou pior já entregues a marginalidade cometendo infrações e se drogando. As crianças que tem a possibilidade de estarem dentro de escolas são restringidas quanto ao brincar, mesmo nas escolas infantis como no início do ensino fundamental. 
O importante é a formação do cognitivo, do pensar, do saber ler e escrever, porém esquecemos que para o cérebro adquirir esta função precisamos desenvolvê-lo por meio do brincar. Isso não quer dizer que não exista o espaço lúdico, no entanto estes espaços são restritos com poucos jogos acadêmicos e algumas bonecas e carrinhos.
A brincadeira na infância é a chave para o desenvolvimento das crianças e aquisição de domínios de raciocínio. O tempo estendido da infância, protegida pelos adultos, parece favorecer a aquisição dessas habilidades através da experimentação e aprendizagem. Neste sentido, a brincadeira seria um meio de treinar, na ausência de grandes perigos, as atividades que serão necessárias para a fase adulta. Além, de alguns aspectos da brincadeira podem ser preparatórios para as demandas físicas, sociais e cognitivas particulares do meio ambiente da própria infância.




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