MÚSICA: VOCAÇÃO OU EDUCAÇÃO? UMA HISTÓRIA





            Olá amigos, leitores e leitoras! É com muito prazer que inauguro minha coluna no blog WorldFriends, a convite de minha amiga Vanderlita. Estou muito contente, pois é minha estreia como colunista e, como adoro escrever, sinto que esta é a ocasião e a oportunidade. Gostaria, contudo, de começar me apresentando.

            Sou Marcus Vinícius, mas também me apresento como Marquinhos em minhas atividades profissionais. Atualmente sou Educador Musical, e trabalho como professor de coral do Ensino Médio da Escola Waldorf Veredas de Campinas. Também trabalho com musicalização infantil, com crianças de 0 a 6 anos, na Casa do Meio, em Jundiaí, e na Alegria e Cia., de Campinas. Tenho ainda um trabalho autônomo, na loja de roupas e acessórios infantis, Tum Tá, no centro de Jundiaí, onde realizo atividades regulares de musicalização infantil para bebês, de 0 a 4 anos. Mais ainda, estou lançando meu primeiro disco autoral, BrisBrisa, que está previsto para ser lançado em julho deste ano, e espero poder falar um pouco mais dele em breve na minha coluna mensal. Também rejo o coral adulto da Comunidade Veredas, e o coral de adultos da Casa do Meio (o qual ainda não definiu seu nome). Sou cantor do Madrigal In Casa, de Campinas, regido por Beatriz Dokkedal, e do Coral do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas, regido por Nelson Silva, além de ser membro da Orquestra do Corpo, conduzida por Fernando Barba, idealizador e fundador do Projeto Barbatuques. Ufa, quanta coisa! 

Tenho a imensa satisfação de dizer que, atualmente, vivo o momento mais feliz da minha vida profissional, pois é o primeiro ano em que estou dedicando meu tempo integral à música e à educação, e fazendo tudo aquilo de que mais gosto e entendo como de boa qualidade, pois é feito com muito amor e verdade. Sou um apaixonado pela Educação e pela Música, e é a isso que quero me dedicar durante todos os dias de vida que me restam.

Mas nem sempre foi assim... Hoje vou começar a contar um pouco da minha história com a música. Apesar desse tom mais pessoal e biográfico, meu relato tem a ver com escolhas de vida, com relação entre pais e filhos, frustrações, bloqueios, e com a discussão entre vocação e educação. Será uma série de artigos que começa hoje, mas não sei dizer quando irá terminar. Garanto que farei o máximo de esforço para manter o interesse de vocês, mas, caso se cansem, podem dizer, que mudo de assunto.

Desde pequeno meu interesse por atividades artísticas sempre foi latente. Adorava desenhar, pintar, fazer pequenos trabalhos manuais, esculturas, dobraduras etc. Este sempre foi o ponto onde me encontrei, e pude fazer fluir meu moto criativo e, por que não, existencial. Mas foi na música que encontrei verdadeiramente este caminho. Com 7 ou 8 anos de idade, não sei por que motivo, fui a uma loja de instrumentos musicais com meus pais, e lá havia um piano. Sem muita pretensão sentei e comecei a, aleatoriamente, tocar as teclinhas, e aquilo me preencheu, foi absolutamente mágico! Não tive musicalização em minhas escolas, isso explica meu encanto ao experimentar um instrumento harmônico. Sou de uma família musical, daí meu contato e interesse pela atividade, já tinha experimentado os instrumentos de percussão de meu pai, e alguns apitinhos e flautinhas que eles me haviam dado, mas nada similar ao piano. Imediatamente disse aos meus pais que queria estudar este instrumento. O piano, porém, por seu alto custo, sempre acabou estando fora de cogitação, e a solução veio com o órgão eletrônico. Não é a mesma coisa, claro! Mas na cabeça de meus pais era, e eu acabei aceitando, apesar de não ser exatamente o que queria.

Estudei órgão eletrônico por dois ou três anos, mas aquele som não me era de todo agradável, muito menos a estética do instrumento. Então pedi a meu pai para trocar, para estudar piano mesmo. Infelizmente não foi possível, mas acabei trocando o órgão pelo teclado. A diferença não é quase nenhuma, mas eu consegui ao menos pensar que tocava piano.

Mas foi aos 14 anos que a coisas mudaram. Meus pais começaram a cantar no coral da Refiunião, em Limeira, minha cidade natal, na época regido pela querida Andreia Sicchiero, e, como eu não tinha onde ficar, me levavam junto. No primeiro dia em que estive lá, lembro-me que cantavam um arranjo de Roberto Rodrigues de “Me Chama”, do Lobão, e foi um negócio inexplicável, absolutamente encantador, mais que mágico! Preencheu minha alma! Como podia aquele som acontecer? Que energia era aquela que movia as pessoas e provocava aquela harmonia, sem nenhum outro recurso que não fossem seus corpos e sua voz? Nunca tinha visto aquilo, e fiquei fascinado, logo quis cantar no coral. Como eu estava em muda vocal, fiquei um tempo de molho, mas loguinho a Andreia me colocou pra cantar.

Depois disso comecei a fazer aulas de canto com a própria Andreia, além de arriscar autodidaticamente meus primeiros acordes no violão. Nessa época, eu já arriscava, tanto no teclado como no violão, pequenas composições musicais. Nada esteticamente muito bonito para meu gosto atual, mas à época me enchiam de orgulho por saber que era algo absolutamente autoral e vindo da minha alma. Mas eu morria de vergonha, nunca mostrava pra ninguém. Eu tocava mal. Fazia isso apenas no reduto obscuro de meu quarto adolescente. Até que, um dia, quando eu já tinha 15 anos, ouvi no rádio um anúncio de um festival de canções em Limeira, o Musical Ecológico de Limeira (MEL), se não me engano. Eu tinha uma música que falava do campo, da relação entre pai e filho, chamava “Meu Velho”, e havia sido inspirada na canção “Morro Velho”, do Milton Nascimento. Apenas inspirada, mas longe de sua grandeza, não confundamos as coisas. Sem muito pensar, mas com o coração na boca, me veio pousar na cabeça uma daquelas ideias oriundas da família das moscas teimosas: por que não? Gravei uma fitinha cassete, no teclado mesmo, comigo mesmo cantando, e enviei. As chances eram baixíssimas... Alguns dias depois recebi um telefonema dizendo que minha canção havia sido escolhida para participar do festival. Caramba, haviam sido tão poucas as inscrições? E agora? O que faria? Fiquei absolutamente nervoso, pois jamais subiria sozinho em nenhum palco, nunca tinha feito isso! Pensei em desistir, mas em tempo tive a ideia de convidar meu primo, e grande músico, Emanuel Massaro, para tocar comigo. Na época ele acabara de entrar na Faculdade de Música, que cursou pela Unicamp, e já era um exímio violonista. Mais do que isso, fizemos uma banda, com amigos que cantavam no coral, com arranjo vocal e tudo, o “Quintetoando”. Resumindo, conseguimos o 4º lugar no festival, e aquilo foi uma imensa satisfação para mim! Eu pude me encontrar, e descobrir algo que eu realmente fazia bem, e com muito prazer: música.

Nos anos seguintes, participei dois anos consecutivos do Mapa Cultural Paulista, na categoria composição musical. Em 1997, com a música “Nativos das Américas”, com temática indígena, conseguimos o segundo lugar na fase final, em São Paulo, com o “Quintetoando”, um feito fantástico para um jovem de 16 anos! Em 1998, o grupo infelizmente se desfez, pelos compromissos diversos das pessoas, mas formamos outro grupo, e chegamos com a música “Folhas” mais uma vez à fase final do festival, não pegando nenhuma colocação, mas recebendo menção honrosa de melhor arranjo vocal.

Nada de melhor poderia ter acontecido a mim nesses anos tão decisivos. Eu tinha 17 anos, não se esqueçam. Época de escolhas profissionais, rumos, vestibulares, caminhos e, como vocês puderam perceber, meu caminho estava traçado. Era na música que eu me encontraria, e teria um grande futuro pela frente. Estava mais do que certa minha decisão, este era o caminho correto a ser seguido, certo? Errado... Não foi o que aconteceu. Durante os 15 anos seguintes, aproximadamente, estive absolutamente distante da música. Mas no próximo artigo eu conto a vocês.

Muito obrigado pela atenção, e até a próxima!


Marcus Vinícius: Bacharel e licenciado em Letras pela Unicamp, mestre em Teoria e História Literária pela Unicamp, e licenciando em Música pela Unimes. É professor de coral da Escola Waldorf Veredas (Campinas), e professor de música na Casa do Meio (Jundiaí) e na Alegria e Cia. (Campinas). Cantor no Madrigal In Casa e no coral do TRT de Campinas, e membro da Orquestra do Corpo, projeto do núcleo Barbatuques. Está gravando seu primeiro disco autoral, BrisBrisa, com lançamento previsto para julho de 2017.    


     

CONVERSATION

0 comentários:

Postar um comentário

Back
to top