Que tipo de adultos teremos em um futuro próximo? Como estamos educando nossos filhos?

 
Como estamos educando nossas crianças?
 
Escrever para o blog é sempre desafiador. Quem escreve não expõe somente suas opiniões, mas especialmente suas vivencias, estudos e experiencia profissional. E assim está sujeito a críticas, polemicas ou o simples silencio!
Vamos falar de um tema que há muito me desperta reflexões. Como profissional tenho visto inúmeras oportunidades de falar sobre o assunto.
Quando nasce uma criança, nasce um pai e nasce uma mãe. Ninguém nasce pai e mãe até ter um filho. Ninguém nasce sabendo ser pai ou mãe. Quando nasce uma criança, seja ela nascida de seus pais ou escolhidas (nascidas) pelo coração, uma nova pessoa com outras responsabilidades, desejos, anseios e medos nasce também. Educar é tarefa de leão! Educar é tarefa que se aprende!
Aprender a educar pode ser mais complexo do que pensa a maioria. Mas quando uma criança passa a ocupar seu lugar na vida de uma família, como deve ser seu lugar?
Temos visto muitas mudanças na educação das crianças. Crianças mais soltas, mais livres, menos julgadas. Temos visto crianças mais independentes, com autonomia diferenciada de outras crianças que nasceram e viveram sua infância no seculo passado. Estamos vendo e vivendo uma educação mais libertária sim! Também estamos vendo e convivendo com crianças cada vez mais ativas em sua capacidade mental, porém em contrapartida mais autoritárias e donas de si. Quem não conhece uma criança que manda na casa? Crianças que dormem a hora que desejam, assistem na TV exatamente o que querem, comem somente o que e quando querem, fazem do espaço da casa somente o seu espaço. Tenho visto diversas crianças que batem no rosto de seus pais, como represália à alguma tentativa frustrada de correção ou negação. Crianças que não aceitam o não como resposta.
Como pedagoga e psicopedagoga teria imensos exemplos de consultório e de prática escolar para oferecer como atitudes negativas de crianças em relação aos pais. Pais que não se colocam em seus papéis de educadores, que entregam para a escola a responsabilidade de educar para a vida. A escola ensina os conteúdos e disciplinas escolares, a escola oferece conteúdos pedagógicos e quem educa deve ser a família.
Dessa forma, coloco a seguinte reflexão: que tipo de filhos estamos criando? Quem são essas crianças que hoje mandam e desmandam? O que será dos filhos no futuro?
Como exemplo recente, da falta de educação de valores, de educação solidária, de educação com limites, democrática sim, mas compromissada, vou citar, sem colocar nomes, o que uma grande amiga está passando. A irmã mais velha, mãe de 03 filhos, já viúva, aos 60 anos está enfrentando a temida doença Alzheimer. Um dos filhos mora com a mãe e os demais estão em suas famílias. Nenhum dos filhos aceita a doença da mãe. Sabemos que quando um ente querido adoece, em geral, a família adoece junto, cada um de sua forma e com suas experiencias e desafios. Nesse caso em especial, a dificuldade não está em aceitar, exatamente, a doença, mas sim de responsabilizarem se por essa pessoa doente. Sem sua sanidade, a mãe requer cuidados, atenção, carinho, além de medicação e cuidados práticos. Esses filhos NÃO querem cuidar da mãe, inclusive agredindo a verbalmente pelo “trabalho” que ela está dando, tirando deles parte de sua vida fértil, saudável e feliz. Devem imaginar que certamente a mãe não poderia interromper assim a juventude desses filhos, ficando doente e exigindo deles o tempo e acolhimento que no momento lhes tira a liberdade e prazer de viver bem sem os problemas domésticos!

Segundo a Constituição Federativa do Brasil, em seu artigo 229 Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. E sendo assim é obrigação dos filhos cuidarem de seus entes idosos, saudáveis ou não. É obrigação dos filhos zelar por seus pais idosos.

Mas como alguém que não aprendeu a ser solidário vai se responsabilizar por outra pessoa? Como vai entender suas necessidades e se dispor a ajudar?

 A solidariedade é altruísmo que se aprende, se pratica desde a primeira fase da infancia!

Ninguém cria um filho com a intenção que no futuro ele seja seu cuidador. Mas está mais do que na hora também de se pensar em uma educação que as crianças tenham mais valores do que bens materiais, mais vivencia afetiva que vivencia tecnológica. Cabe também aos adultos responsabilizarem se por nossas crianças para que tenham sua infância preservada e feliz, mas uma infância também participativa, solidária, afetuosa e respeitosa. Uma dica infalível para que as crianças cresçam felizes, acolhedoras, justas e responsáveis é oferecer limites claros e de bom senso, com sabedoria, paciencia e dedicação. A criança precisa saber e reconhecer quem é o adulto da relação, seja com pais ou professores ou qualquer outro adulto com quem ela conviva.

Que tipo de filho você está criando?

Que tipo de aluno você está educando?

Que tipo de adulto terá nossa sociedade em um futuro tão próximo?

E que venha um ano cheio de reflexões e ações para uma sociedade mais solidária e feliz!

 

Águeda Cristina de Oliveira

Email: aguecris@hotmail.com

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